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Este microbook é uma resenha crítica da obra:
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Editora: 12min
Havia uma passagem estreita no Golfo Pérsico que ninguém prestava muita atenção no dia a dia. Trinta e quatro quilômetros de largura no ponto mais apertado, espremida entre o Irã e Omã. Por ali passava, todos os dias, um em cada cinco barris de petróleo consumidos no mundo. Era o Estreito de Ormuz, e em 28 de fevereiro de 2026 ele se tornou o centro do maior conflito militar do Oriente Médio em décadas.
Naquela madrugada, aviões americanos e israelenses varreram o céu do Irã. Em poucas horas, o líder supremo Ali Khamenei estava morto. Junto com ele, o ministro da Defesa, o chefe do estado-maior e dezenas de outros altos funcionários. Os mísseis também acertaram instalações militares, depósitos de armas, refinarias e a sede da televisão estatal em Teerã. Donald Trump declarou que o Irã não tinha mais marinha, força aérea nem sistema de radar. O governo americano batizou a ofensiva de Operação Epic Fury, e prometeu que durava "o tempo necessário".
O que ninguém sabia, naquele momento, era até onde isso ia chegar. Hoje o irã anuncia que se for preciso o mundo vai ter que pagar 200 dólares por barril de petróleo, logo após afundar três petroleiros no estreito de Ormuz.
Para entender o que aconteceu, é preciso voltar alguns meses. Em dezembro de 2025, o Irã entrou em colapso por dentro. Uma devaluação brutal do rial, cortes de água e luz, corrupção crônica e uma infraestrutura aos pedaços jogaram centenas de milhares de pessoas nas ruas. Era o maior levante desde a Revolução Islâmica de 1979.
Em 8 de janeiro de 2026, Khamenei deu a ordem: atirar para matar. O que veio a seguir foi descrito pela Amnistia Internacional como um massacre organizado. Segundo dados do Ministério da Saúde iraniano vazados à imprensa, pelo menos 30 mil pessoas foram mortas nas primeiras 48 horas do confronto, a maioria pela Guarda Revolucionária e pela milícia Basij. Organizações de direitos humanos chegaram a registrar mais de 7 mil mortes com nomes confirmados; estimativas mais altas chegaram a 36 mil vítimas. A internet no país foi cortada para impedir que imagens saíssem.
O protesto foi sufocado. A raiva, não.
Em paralelo, os Estados Unidos e o Irã tentavam negociar um novo acordo nuclear em Omã. O mediador omanense chegou a declarar progresso real, com o Irã disposto a zerar seu estoque de urânio enriquecido. Mas Trump disse que não estava "entusiasmado" com as negociações. Em 27 de fevereiro, a AIEA publicou um relatório pedindo inspeções urgentes em Isfahan. Um dia depois, começou a guerra.
A reação iraniana veio rápida. Mísseis e drones partiram em direção a Israel, a bases americanas no Golfo e a países vizinhos que abrigam tropas dos EUA: Bahrain, Qatar, Emirados Árabes, Iraque, Arábia Saudita. A Guarda Revolucionária anunciou ataques a pelo menos 27 bases na região. Em Kuwait, quatro soldados americanos foram mortos por drones iranianos. Em Bahrain, a refinaria da Bapco pegou fogo e a empresa declarou força maior em seus contratos de fornecimento.
O Hezbollah no Líbano entrou no conflito atirando em Tel Aviv. Israel respondeu com ordens de evacuação para metade de Beirute. Em dez dias, mais de 390 pessoas morreram no Líbano.
O tabuleiro, que parecia conter apenas dois jogadores, revelou ter dezenas deles.
Até o dia 10 de março, as forças americanas e israelenses haviam atacado mais de 5 mil alvos no Irã, segundo o Comando Central dos EUA. A taxa de lançamentos de mísseis iranianos estava caindo, mas não havia parado.
Enquanto os mísseis voavam, algo diferente acontecia no mar. Em 2 de março, um oficial da Guarda Revolucionária declarou que o Estreito de Ormuz estava fechado. Qualquer navio que tentasse passar seria incendiado. Não era uma ameaça vaga. Pelo menos cinco petroleiros foram atacados. Mais de 150 navios ficaram ancorados do lado de fora, esperando. O tráfego de cargueiros foi a praticamente zero.
Pense no Estreito de Ormuz como a torneira da cozinha do mundo. Por ela passa um quinto do petróleo consumido no planeta, além de gás natural liquefeito que abastece Europa e Ásia. Quando a torneira trava, o sistema inteiro sente.
O petróleo Brent, referência internacional, que estava em torno de 70 dólares por barril antes do conflito, chegou a 126 dólares no pico. Nos Estados Unidos, o preço da gasolina subiu 17% em uma semana. Analistas da Rystad Energy estimaram que, se a situação durasse quatro meses, o barril poderia chegar a 135 dólares. Segundo o FMI, cada alta de 10% no preço do petróleo corresponde a um aumento de 0,4% na inflação global e uma redução de 0,15% no crescimento econômico.
O Qatar parou sua produção de gás. O preço do gás natural na Europa quase dobrou. A Goldman Sachs estimou que o mercado estava pagando 14 dólares a mais por barril só para compensar o risco, mesmo sem fechamento total. Japão, Coreia do Sul e Índia, que importam cerca de 70% do petróleo que passa pelo estreito, acionaram seus estoques estratégicos de emergência.
A China, maior compradora de petróleo do Irã, continuou recebendo alguns carregamentos. Era praticamente o único país cujos navios ainda circulavam pela região.
Do lado iraniano, a situação era complexa demais para caber em uma linha.
Quando a morte de Khamenei foi confirmada, as ruas de Teerã viram ao mesmo tempo celebrações e velórios. Vídeos mostravam pessoas dançando em bairros que haviam sido palco do massacre de janeiro. Em outras avenidas, multidões choravam o "mártir". Uma médica na cidade de Rasht disse à imprensa americana que havia alegria contida em casa, mas medo de comemorar na rua, porque "eles são cruéis e ainda mais vingativos quando perdem."
A liderança iraniana moveu rápido para mostrar controle. O presidente Masoud Pezeshkian anunciou um conselho de transição. O filho de Khamenei, Mojtaba, foi indicado novo líder supremo. Em 9 de março, centenas de milhares marcharam em Teerã em apoio ao novo nome. A Polícia Especial estava nas ruas reprimindo qualquer dissidência.
Os que queriam festejar a queda do regime enfrentavam um dilema cruel: o mesmo aparato de segurança que matou manifestantes em janeiro continuava funcionando. O massacre havia tirado das ruas muitos dos que mais teriam disposição para protestar de novo.
Pesquisadores do Carnegie Endowment for International Peace apontaram que, nos últimos dez anos, regimes autoritários resistiram à maioria das revoltas populares ao redor do mundo, de Belarus a Nicaragua. No Irã, o histórico mostra que a Guarda Revolucionária tem capacidade e disposição de usar força letal sem hesitar. A questão, dizem os analistas, não é se o regime vai resistir aos bombardeios, mas se ele vai ser suficientemente enfraquecido para que uma nova onda interna o derrube.
A resposta internacional fragmentou-se entre os que apoiaram, os que condenaram e os que tentaram se manter fora.
O Reino Unido condenou os contra-ataques iranianos, mas se recusou a participar militarmente e disse não acreditar em "mudança de regime pelos céus", nas palavras do primeiro-ministro Keir Starmer. Ainda assim, aviões britânicos foram posicionados em postura defensiva no Qatar, Jordânia e Chipre. A Itália disse que o ataque americano-israelense era ilegal pelo direito internacional, enquanto fechava sua embaixada em Teerã. A Espanha se recusou a ceder bases aéreas aos EUA; Trump ameaçou cortar relações comerciais com o país.
Rússia condenou os ataques, mas não se moveu para ajudar seu aliado iraniano. China manteve posição de neutralidade calculada, protegendo o acesso ao petróleo iraniano.
No Conselho de Segurança da ONU, houve reuniões de emergência, pedidos de moderação, e nenhuma resolução vinculante.
Trump disse em 9 de março que o encerramento da guerra seria uma "decisão mútua" com Netanyahu. No mesmo dia, disse que as operações não parariam enquanto o inimigo não fosse "total e decisivamente derrotado." Os mercados financeiros oscilaram violentamente a cada declaração contraditória.
Esse conflito não é apenas uma crise regional. Ele toca diretamente em quatro sistemas que afetam a vida de qualquer pessoa no planeta: energia, inflação, geopolítica e estabilidade financeira. Dependendo do cenário que se desdobrar nas próximas semanas, as consequências serão radicalmente diferentes.
Se o conflito for curto e o Estreito reabrir em semanas: os preços do petróleo devem recuar, a inflação global vai sentir um impacto passageiro e as economias emergentes, incluindo o Brasil, terão tempo de ajustar. O petróleo brasileiro, produzido no pré-sal com exportação fora da rota do estreito, fica relativamente protegido. É o cenário que os mercados estão precificando no momento de forma parcial, embora com alta incerteza.
Se o conflito se prolongar por meses: o barril poderia chegar a 135 dólares ou mais, com impacto direto na gasolina, no diesel, no transporte de alimentos e em quase toda a cadeia produtiva. Países asiáticos importadores de energia, como Japão, Coreia do Sul e Índia, entrariam em crise de abastecimento. A inflação global que estava sendo domada voltaria com força. Para o Brasil, um petróleo mais caro é bom para a Petrobras e o balanço exportador, mas péssimo para os combustíveis internos e para o custo de vida.
Se o regime iraniano entrar em colapso: a região ficaria sem um poder central por tempo indefinido, com risco de fragmentação e conflitos internos. A história do Iraque e da Líbia depois das intervenções militares ocidentais serve de advertência: vácuos de poder costumam ser preenchidos por forças que ninguém escolheu.
O que fazer individualmente: acompanhar os preços dos combustíveis e se preparar para alta no curto prazo, especialmente quem depende de transporte ou tem negócios ligados à logística. Investidores devem observar com atenção a volatilidade do petróleo e dos mercados emergentes, sabendo que as declarações contraditórias de Washington têm movido os preços em questão de horas. Quem tem posição em renda fixa ligada à inflação pode se beneficiar se o choque de preços for duradouro.
O Estreito de Ormuz nunca foi fechado por completo na história moderna. O que está acontecendo agora não tem precedente. E as decisões tomadas nas próximas semanas, seja em Teerã, em Washington ou em Tel Aviv, vão determinar se isso foi um conflito de dois meses ou o começo de algo maior.
Há algo perturbador no modo como esse conflito começou. Uma noite antes dos primeiros mísseis, o mediador de Omã anunciava avanços nas negociações nucleares. O Irã, segundo relatos, estava disposto a ceder. A guerra chegou quando a diplomacia parecia possível.
O que isso diz sobre como as grandes decisões são tomadas é assunto para outro debate. O que está claro é que o mundo acordou em março de 2026 com uma torneira de petróleo fechada, um regime de 47 anos em crise existencial, e uma região inteira de joelhos.
O Estreito de Ormuz sempre pareceu distante demais para importar. Agora, ele aparece no preço do que você coloca no tanque, no custo do que você compra no mercado e na instabilidade que você sente no bolso.
Trinta e quatro quilômetros de mar nunca foram tão importantes.
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